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10 perguntas para encontrar o verdadeiro significado de trabalhar

18 de abril de 2017

 

Por Paolo Gallo, diretor de RH e membro do Comité Executivo do World Economic Forum de Genebra*

Vamos começar com uma pergunta:

O que é uma carreira de sucesso?

Está na hora de afastar-se da ideia de que sucesso é o que a sua organização ou o seu chefe definiu para você. Você precisa encontrar a sua própria definição de sucesso. Apenas subir mais um degrau na carreira não funciona por três razões:

Primeira – Se apenas valorizamos aqueles que alcançaram o topo da hierarquia, então, por definição, estamos descartando os outros 99,99%. Com isso, criamos uma linha de montagem cruel que produz uma infinidade de pessoas frustradas e infelizes que acreditam, muitas vezes erradamente, que têm sucesso apenas aqueles que conseguiram chegar ao topo.

Segunda – Percebendo nossa vida profissional como se fosse uma corrida, entramos em um estado de luta constante na qual “nos posicionamos” contra todos os outros. Pense, por exemplo, nos sistemas de incentivos. Eu tenho visto muitos deles, e eu também desenhei alguns, que incidem sobre resultados de desempenho individual e que nunca foram baseados em cooperação ou em senso de propósito.
Eu acho que o estresse não está relacionado apenas com a quantidade de trabalho que temos para fazer, mas com a baixa qualidade dos relacionamentos que desenvolvemos com os nossos colegas. Em uma organização, o clima de ‘todos contra todos’ degrada as relações. O traço de conexão entre as pessoas fica perdido, transformando as relações em transações simples e links utilitários. Essa obsessão com as aparências e não com conteúdos nos despoja da nossa humanidade.

Terceira – Ao final, todos terminamos fazendo parte de uma competição feroz. Transformamos tudo em uma corrida de ratos e, de tão absortos e ocupados, nos esquecemos  de que, mesmo ganhando, permanecemos ratos. E não apenas ratos, mas ratos vulneráveis: com a crise econômica crônica, com uma reestruturação societária ou com outras infinidades de circunstâncias além do nosso controle, que poderiam colocar-nos na rua da amargura. Se o sucesso empresarial é a única maneira de definir sua identidade, então a sua identidade pode ser facilmente destruída. Uma destruição que trará todas as consequências emocionais e sociais resultantes.

Albert Einstein escreveu: “Se eu tivesse uma hora para resolver um problema e minha vida dependesse da solução, passaria os primeiros 55 minutos decidindo qual é a pergunta certa a fazer. Porque se soubesse a pergunta, poderia resolver o problema em menos de 5 minutos”.

Em vez sair correndo atrás da carreira profissional, o que se precisa fazer é conseguir uma pausa para considerar as perguntas que podem nos ajudar a fazer o melhor em nossas carreiras. Em meu livro A Bussola para o Sucesso identifiquei 10 questões importantes que, do meu ponto de vista, podem levá-lo a uma carreira mais gratificante e o ajudar a redefinir completamente o que significa ser bem-sucedido.

1- Qual é o seu propósito?
O escritor Mark Twain disse uma vez: “Os dois dias mais importantes de sua vida são o dia em que você nasceu e o dia em que descobriu o porquê.” A questão é, portanto: Qual é o verdadeiro propósito de sua vida? Por que você está aqui e por que você está fazendo o que você faz? Um erro comum é confundir metas e objetivos com propósito. O propósito, por exemplo, é se destacar em sua atividade, enquanto um objetivo é ser promovido por cumprir sua função. É realizar um conjunto de atividades significativas, mesmo que você nunca seja promovido. Suas metas e objetivos podem ser destruídos por circunstâncias externas ou por outras pessoas, mas seu propósito não pode ser destruído. Todos nós precisamos que nossa vida tenha um propósito. Qual é o seu propósito? Aqui vai uma dica: o propósito significativo é mais importante do que você mesmo e está relacionado a uma causa ou a uma missão na qual você acredita profundamente. Pense nisso: você quer ser um missionário ou um mercenário? Concentre-se em deixar uma impressão duradoura e não em resultados de curto prazo.

2- Quais são seus pontos fortes?
Após 20 anos trabalhando como diretor de recursos humanos em várias organizações e países, aprendi que todos nós temos um talento, um verdadeiro tesouro dentro de nós esperando para ser descoberto. Mas descobri que ter talento não é suficiente, é preciso usá-lo e aprimorá-lo constantemente. Talento só representa um papel menor no nosso sucesso.
Sucesso significa fazer um esforço constante para melhorar e se recusar a tolerar a mediocridade. Sua verdadeira força é, portanto, o seu talento multiplicado pelo esforço que você investir no seu desenvolvimento. Como diz o ditado: O sucesso é 10% inspiração e 90% transpiração. Pense sobre os atletas olímpicos, esses breves segundos ou minutos de sucesso são o resultado de anos ou mesmo décadas de esforço, sacrifício e pequenos progressos. Quando Flavia Pennetta, 33 anos, ganhou o USOpen de tenis, um jornalista lhe perguntou: “Essa sua última jogada foi um lampejo de gênio”? “Genio?,” respondeu Pennetta. “Eu venho a 20 anos praticando essa jogada”. Michael Phelps se tornou lenda, depois de ganhar 22 medalhas de ouro, um feito de incrível perseverança, que não foi alcançado apenas com base em talento inato.

3- Você pode controlar seu ego e construir pontes em vez de muros?
Ryan Holiday, autor e empresário americano, tem dito que “o ego é o inimigo” .Então a questão é: você pode controlar ou mesmo sufocar o seu ego? Você pode eliminar seu orgulho, a sua propensão para se atribuir méritos e ser o centro das atenções? Você pode ouvir outros pontos de vista, não porque você decidiu que deve fazê-lo, mas porque você realmente se importa com eles? Se você respondeu não as questões, você padece do que os antigos gregos chamavam de “hubris”: o perigoso excesso de confiança, que o leva a crer que você está certo e que todos os outros estão errados. Muitos desastres políticos e econômicos foram construídos sobre a fundação defeituosa da arrogância. Voltando aos gregos, hubris sempre conduziu ao infeliz aparecimento de Nemesis, a retribuição divina. Antes que ocorra uma catástrofe você precisa construir pontes, jogar abaixo os muros e se conectar com os outros, porque na caminhada você nunca estará sozinho.

4- Qual é o oposto de sucesso?
Se você respondeu “fracasso”, pense novamente. Quem é o jogador de basquete que perdeu 9000 lançamentos em toda a sua carreira? Foi Michael Jordan, considerado o melhor jogador de todos os tempos. Nelson Mandela disse uma vez: “Eu nunca perco. Ou eu ganho ou eu aprendo” Releio esta bela frase: Eu nunca perco. Ou eu ganho ou eu aprendo. Se conseguimos aprender com nossos erros, o fracasso não será o oposto de sucesso, pois se torna componente-chave do mesmo. Em meu livro escrevo que a única falha é a incapacidade de refletir e aprender. Como diz o provérbio japonês: “Na vida posso cair sete vezes, mas me levantarei oito”.

5- Como você pode compreender a complexidade e a cultura de sua organização?
Não é preciso ser um especialista em comportamento organizacional para entender a cultura da empresa onde trabalhamos. Você precisa compreender em profundidade as normas e regulamentos mais importantes, mesmo que a maioria deles não esteja escrita e nem explicitada. Se você não os conhecer, “você será devorado pelos nativos” . O que o meu livro fornece são ferramentas simples e práticas para ‘decodificar’ as organizações. Um exemplo: estude os que ocupam as posições mais elevadas na sua organização. Como eles chegaram lá? Por seus méritos, suas habilidades, sua integridade, seus resultados? Ou por outros fatores? Ao estudar a trajetória de quem alcançou o topo, fique atento a narrativa que se revela.

6- Como você pode construir a confiança?
A confiança é uma questão crucial para os indivíduos, organizações e sociedades, e para construí-la, é preciso investir tempo e trabalho duro. Sua reputação é um dos pilares da sua carreira. Então, como você cria a sua reputação? Tudo conta: o caráter, a credibilidade, estar presente quando precisam de você, sua capacidade, confiabilidade, integridade e os resultados que entrega. Arrogância e conflitos de interesse, reais ou apenas percebidos, são corrosivos para a construção da confiança. Lembre-se: a subida na carreira está baseada principalmente na confiança que você criou.

7- Como você lida com decisões difíceis?
Em sua carreira você terá que tomar decisões difíceis. É o que chamo de “o momento de suas convicções”. São aqueles momentos onde o conhecimento técnico não é suficiente para ajudá-lo a encontrar o caminho certo ou a melhor solução para um problema complicado. O que vai ajuda-lo a decidir no tempo adequado são suas convicções e seu caráter. A história mostra que em situações extremas a obediência cega à autoridade pode levar a perdas. Por sua vez, a psicologia nos mostra o quão difícil pode ser dizer não. O experimento de Milgram demonstrou claramente que os sujeitos estavam dispostos a obedecer à ordem de aplicar choques elétricos em outras pessoas. Saber avaliar a hora de se recusar a seguir ordens é um bem valioso em sua carreira. Você nunca pode perder de vista suas convicções. Ao longo de sua carreira, você terá de enfrentar muitas situações difíceis que você não pode mudar, mas a decisão que tomar vai revelar quem você é.

8- Quantas lentes você usa?
Uma vez fui a palestra de um fotógrafo famoso, que nos mostrou as fotos que tinha tirado em uma ilha do Caribe. Eram fotos bonitas, no estilo de cartões postais, mas bem comuns e previsíveis. Em seguida, ele nos mostrou uma outra série de fotos. Estas fotografias foram tiradas no mesmo lugar e ainda assim pareciam completamente diferentes: a luz, a perspectiva, as cores, tudo era diferente. Em seguida, ele explicou que para a primeira série de fotografias, ele tinha usado a mesma lente, enquanto para a outra serie tinha usado várias lentes e ângulos diferentes. Isso é para mim o significado de “diversidade”. Ver a realidade a partir de outros pontos de vista, usar diferentes lentes e assim evitar a tentação de acreditar que existe uma única perspectiva. A ideia das lentes aplicadas ao seu local de trabalho pode ajudar a compreender a complexidade, para identificar pontos de vista e apreciar outras perspectivas. Hoje, esse recurso é mais importante do que nunca. Como podemos construir pontes de tolerância e inclusão e combater as forças que tentam construir muros entre os países, ideias e pessoas? A diversidade é um trunfo inestimável. Enquanto organizações como o Banco Mundial estão em busca de maneiras para promover a diversidade, países como o Canadá veem a diversidade como um aspecto crucial da sua cultura e um dos pilares da sua prosperidade.

9- Você é uma máquina de aprendizagem?
Você sempre pode aprender mais. Em 1938, Ingeborg Rapoport tinha acabado de escrever sua tese e estava prestes a receber seu diploma de medicina. Mas, por causa de leis raciais odiosas, impostas pelo regime nazista, a certificação foi negada, em função de sua herança judaica. Rapoport imigrou para os Estados Unidos, continuou seus estudos de medicina e trabalhou em muitos hospitais como pediatra e neonatologista. Com mais de cinquenta anos de idade, ela voltou para a República Democrática Alemã e fundou a primeira clínica de neonatologia em Berlim Oriental. Em 2015, a Universidade de Hamburgo decidiu compensar a injustiça cometida 77 anos antes. Rapoport havia defendido sua dissertação em 1938, porém só recebeu seu título de médica com 102 anos de idade. Por sua dedicação à educação e à luta contra a injustiça, é uma das minhas heroínas.
Torne-se uma máquina de aprendizagem bem sucedida e não pare de aprender, mesmo que você tenha 102 anos. Nós criaremos o futuro, investindo em nossa educação. Será uma jornada prazerosa para a liberdade, na maioria dos casos, porque, independentemente do que acontecer na organização, ninguém pode tirar de você o que aprendeu.

10- Você ama o que faz?
Recentemente, eu estava em Antigua, Guatemala, um dos meus lugares favoritos no mundo. Lá eu me apaixonei por aquarelas de um artista de rua chamado Gerardo, que trabalhou o dia inteiro pintando uma paisagem maravilhosa. Eu queria compra-la, mas ele tinha apenas aquela em que estava trabalhando e ainda não tinha terminado. Eu estava prestes a deixar o país e não poderia esperar que terminasse. Assim, insisti em comprar a aquarela. Como estava inacabada eu pedi um desconto, mas Gerardo me pediu duas vezes o preço habitual. Isso me surpreendeu e ainda me incomoda um pouco. Perguntei porque ele queria cobrar o dobro por um trabalho incompleto. E Gerardo respondeu: “Porque por sua causa eu não vou poder ter o prazer de concluir algo que eu verdadeiramente amo.” Então, eu paguei o que me pediu, reconhecendo que recebera uma valiosa lição de vida: se alguém tem que lhe pagar para que desista do que você está fazendo, é porque você realmente ama aquilo que faz”.

Espero que meu livro transforme o que para você significa uma carreira de sucesso e remova a ideia de que só pode haver alguns vencedores. Uma carreira de sucesso é algo profundo, significativo e relevante. Mas é para todos nós, não apenas para um seleto grupo. Em meio a Quarta Revolução Industrial, numa época de transformação radical e de revolução tecnológica, precisamos fortalecer nossa vida de trabalho, nossa identidade e nossos valores. A Bussola para o Sucesso nos ajuda a fazer uma pausa e refletir sobre quem somos, defender o que valorizamos e como agir para ter uma carreira profissional significativa, cheia de propósito, integridade e paixão.

*No dia 15 de agosto, às 15 horas, Paolo Gallo apresentará no CONARH 2017 a Palestra Magna A 4ª Revolução Industrial e a Nova Bússola do Sucesso

 

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