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Dignidade e a evolução da consciência humana

31 de janeiro de 2017

Por Américo Figueiredo*

Temos assistido, diariamente, um verdadeiro absurdo de notícias que nos chocam por sua contundência, pois que revelam o verdadeiro estado de realidade por que passa o Brasil e o mundo.

Tragédias como a do lamentável episódio do massacre ocorrido na boate em Orlando, na Flórida, que vitimou 50 pessoas, na mesma semana que um cidadão tira a vida de uma garota de apenas 22 anos, revelação do programa The Voice americano, na mesma cidade.

Os conflitos de intolerância vistos na Eurocopa entre torcedores russos e ingleses, maculando a imagem do que talvez seja, o esporte que mais unificou oponentes e fomentou a paz no mundo, que é o futebol.

Intolerância religiosa, intolerância contra opção sexual, intolerância contra posições político-partidárias, radicalismos por toda a parte, intolerância contra afrodescendentes, contra moradores da periferia, contra a emergência das classes sociais menos favorecidas, para citar alguns exemplos do nosso cotidiano.

Tudo isso tem me feito pensar  acerca de qual aprendizado que podemos ter a partir deste estado, que denota mais o caos do que a ordem? Que lições podemos tirar sobre o escancarar da corrupção e das práticas imorais e antiéticas do sistema político brasileiro? Que lições aprender sobre a gestão das empresas, a partir dos escândalos vergonhosos que expuseram ícones da indústria brasileira, expoentes do capitalismo que fizeram a história empresarial brasileira, que agora fazem parte das páginas policiais envolvidos que estão em práticas deletérias, que maculam os mais elevados e sagrados princípios dos valores humanos?

Fui buscar em Richard Barrett e em Otto Sharmer um pouco de luz, para tentar encontrar um caminho, um ponto de partida que pudesse nos ajudar a se posicionar e, a construir, quem sabe, um novo ciclo em prol dos indivíduos, da sociedade, da natureza, dos animais e da prosperidade e dignidade humana.

Segundo Ricard Barrett, onde quer que você olhe o mundo, pode ver uma evolução da consciência emergindo. O crescimento sem precedentes na renda e na prosperidade ao longo das últimas quatro décadas criou uma nova classe média global, que atendeu às suas necessidades básicas e está agora procurando satisfazer suas necessidades de crescimento, apesar de ainda, no Brasil, milhares de habitantes viverem abaixo da linha de pobreza. Essa classe emergente, quer liberdade e igualdade, e ser responsável pelo próprio futuro e quer, sobretudo, incluir os valores democráticos em todos os aspectos de suas vidas.

Do ponto de vista das organizações, aquelas que reconhecem essa evolução na consciência nutrem o desenvolvimento psicológico de seus colaboradores, criando uma cultura que dispensa o controle, a hierarquia, status e medo, e promove liberdade, igualdade, responsabilidade, justiça, abertura, transparência e confiança.

Está se tornando cada vez mais claro que, para ter sucesso profissional individualmente no século XXI, ou coletivamente, na forma de uma organização, você precisa se diferenciar não por aquilo que você faz, mas por quem você é e como você faz o que faz.

Ainda de acordo com Richard Barrett, nessa economia global interdependente, está ficando mais difícil para as organizações e para os indivíduos obter sucesso exclusivamente com base no que produzem ou nos serviços que oferecem. No século XXI, qualidade, preço, rapidez e serviço não serão suficientes para garantir sucesso: você também terá que agir com integridade e estar totalmente comprometido em construir um futuro sustentável para seus colaboradores, seus clientes, as comunidades nas quais está inserido e a sociedade em geral. Eu adicionaria que tal comprometimento também inclui a natureza e os animais.

Richard Barrett prevê que no século XXI, a corrida exaustiva para o lucro será substituída pela corrida para os valores. Isso significa que o nosso comportamento deve estar alinhado com os nossos valores, os quais devem denotar, claramente, que estamos agindo com integridade, com boa vontade social, visando criar, sobretudo, um atributo indispensável para o futuro das organizações, que é a capacidade de resiliência.

De acordo com o que nos ensina Otto Shamer, o que estamos assistindo nos dias atuais, tem a ver com a qualidade da conscientização e do pensamento dos indivíduos, que são membros do atual sistema que vigora no mundo.

Contudo, temos visto as forças de evolução da economia e do pensamento econômico, refletindo uma conscientização humana, que também está em um ciclo intenso de evolução, que perpassa uma sólida agenda de valores até a conscientização de todo ecossistema que inclui os stakeholders da cadeia produtiva e de relacionamentos das organizações com os seus ambientes de exposição, alcance e atuação.

Do ponto de vista da liderança, Otto Shammer pondera que o desafio principal para as instituições, é a colaboração/co-criação, a partir da conscientização de todo o ecossistema que inclui todos os grupos de interesses, que abandone o ponto de vista do ego, de interesses isolados, para uma outra forma de operar, que se baseia na conscientização do ecossistema, que prioriza o bem estar de todos.

É uma jornada que faz com que as pessoas se coloquem no lugar das outras, vendo o problema através dos olhos das outras pessoas, um exercício empático, movido pelo que o coração de melhor nos traz, para que possamos, assim, nos conectar com as nossas mais profundas fontes de conhecimento e de valores humanos, que dignificam o ser humano, que dá nobreza à vida, conectando-se com quem sou hoje e, sobretudo, quem eu desejo ser amanhã.

 

*Américo Figueiredo é Chief Operating Officer da Fellipelli Instrumentos de Diagnóstico e Desenvolvimento Organizacional e Docente em Gestão de Pessoas

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