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Sinto muito, sua empresa está sem alma

6 de fevereiro de 2017

Por Américo Figueiredo*

Modelos de negócios sofisticados, terminologias e metodologias rebuscadas, uma profusão de slides, siglas, planos, cronogramas, modismos, comitês, campanhas internas de comunicação, frases de efeito, discursos cuidadosamente construídos por assessorias de imprensa, eventos de integração e por aí vai.

Apesar de tudo isso, temos visto empresas patinarem na execução de suas estratégias e no engajamento de seus colaboradores diretos e indiretos, com impactos negativos nos resultados, na satisfação dos clientes e na sua imagem perante a opinião pública (algumas até mesmo envolvidas em escândalos de corrupção). Tudo sem contar o desrespeito com as pessoas que buscam novas oportunidades e nem sequer recebem resposta sobre sua participação nos processos seletivos.

Por muito tempo, acreditei que uma sólida estratégia ancorada em um modelo de negócios consistente, com clareza de papéis e responsabilidades, fosse suficiente para que uma organização alcançasse o sucesso.

A maturidade, no entanto, me mostrou a importância de considerar questões mais amplas, que tratam do grau de consciência das organizações, dos seus aspectos mais intangíveis, ou sutis: história, credo, valores, propósito, razão maior de ser. É inegável a força invisível, o campo que se forma e do qual emana energia vital que conecta as pessoas e faz com que haja uma comunhão de esforços, e como esse sincronismo acaba sendo percebido no engajamento, no entusiasmo das pessoas, na atratividade da organização para os melhores profissionais.

Quando se verifica o que tem acontecido no mundo, as rupturas sociais, os conflitos geopolíticos, os questionamentos sobre a importância de uma sociedade mais ética e justa, é difícil dissociar tais movimentos do desafio de resgatar a alma das organizações. Tenho a esperança de que esse cenário ajude a desencadear um movimento maior, que possa influenciar o destino do nosso país e, por conseguinte, que reavive o protagonismo da oitava maior economia do mundo, duramente castigada na arena global nos últimos anos.

O desafio empresarial, a meu ver, não é mais de ordem estratégica; é de elevação de propósitos, ideias nobres que somente podem ser encontradas quando compreendermos a importância da alma para a sobrevivência humana. Se for para ter um empreendimento que banaliza os verdadeiros e mais sublimes valores humanos que se abrigam na essência da alma, é melhor que tais negócios desapareçam e em seu lugar surja uma nova categoria de organizações, que compreenda a importância da alma, para que a vida possa ser vivida com significado e dignidade.

Enquanto o RH é obrigado a desempenhar o papel de coadjuvante em inúmeras organizações, paradoxalmente, nunca foi tão necessária uma liderança firme, que tenha coragem de resgatar a consciência ética de uma gestão ancorada em valores. Tudo isso naturalmente levará à mesa corporativa questões sobre a alma nas organizações, sua essência maior, avalizando a sua participação no mercado e em relação a seus distintos stakeholders.

Bem-vindo à era da gestão holística e desprovida de preconceitos.

*Américo Figueiredo é Chief Operating Officer da Fellipelli Instrumentos de Diagnóstico e Desenvolvimento Organizacional e Docente em Gestão de Pessoas

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